ARGH!
Porra pra isto!
Escumalha, lixo
É o que todos são.
Metem-me nojo,
malditos pretenciosismos...
Comem-se, Matam-se,
lambem-se, mastigam-se
e cospem-se para a sarjeta.
Morram!
Vós e os vossos egos queridos,
Vós e o vosso deslumbramento.
Acordem, despertem!
São miseráveis,
ralé da mais baixa.
Animais!
Comem, bebem, dormem,
Fodem-se, fodem-se, fodem-se.
Bastardos da Jezebel que vos pariu.
Mandei a ética e a moral para o raio que vo-la parta.
Bestas! Selvagens!
Conspurcai a vossa raça imunda.
Apodrecei que já estais podres,
Vivei nas vossas fezes.
Morram!
sábado, 19 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Devaneios
A Inércia é uma coisa muito confortável. Estar quietinho, a pasmar, totalmente abstraído... Vive-se tanto parado e inútil. Varre-se-nos tudo o que vem dos sentidos, damos por nós perdidos em devaneios infantis, ali, sentados num canto. Encolhidos, como que para nos aquecermos, ou talvez numa recordação inconsciente de quando fomos fetos protegidos e frágeis no ventre materno. A melancolia apodera-se de um olhar esvaziado, vemo-nos a nós, confortavelmente sós, a sonhar de tudo menos de solidão. Palavras ternurentas, acolhedoras que nos são sopradas pelo vento, ou talvez apenas pela nossa mente histérica de uma alma desesperada. Somos tão crianças, naquela imaginação tão pura e singela, uma simplicidade de tal ordem que deve ser perfeita, ou pelo menos não se lhes vêem defeitos. Mas claro, um sonho não se quer imperfeito, qual seria o propósito de nos abstrairmos num universo tão reles como o real?
Queria voar... criar e recriar, mudar tudo à minha volta como quem muda um cenário e as personagens dum filme. Sim, queria que a minha vida fosse como esses filmes, uns lamechas, outros psicadélicos, outros de terror, comédias, e até daquele cinema independente pseudo-intelectual. Queria rebentar com isto tudo, com esta hipocrisia, falsidade, egoismo e imoralidade a que chamamos de "sociedade", com todos estes prédios copiosamente horrorosos, queria revirginizar a Terra para que depois a desposasse à minha vontade. Queria, aliás, quero, pura e simplesmente, viver. Não sei o que isso é, mas supõe-se que seja giro até.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Poste com Piada (ou não)
Ora, anda um jovem adolescente perturbado como sou eu (Isto é um isco para pitas, na realidade sou um violador de 43 anos monotomate), nas suas vidas perturbadas de escola (Vá, é boa vida, mas eu tenho a mania gosto de dizer que ando chateado ou revoltado) e a modos que me deparei com um cartaz da Manuela Ferreira Leite e disse para comigo: "É isso, vou fazer crepes logo à noite!", e assim foi. Noutros campos mais revelantes para a blogosfera aquilo que eu queria efectivamente partilhar é que, numa tentativa de introspectiva, me apercebi que o auge deste poio (chamem-lhe blog se quiserem, ou pia como já lhe chamaram) foi quando um Emo anônimo (sim, com acento circunflexo que o jovem era brasileiro) me chamou de viado. Oh, bons velhos tempos em que eu era pito (milho! milho! milho!), e foi isso que me motivou a aparvalhar um bocado para quebrar o falso intelectualismo que gosto de cultivar em mim, no blog, e no quintal do vizinho para que tenha batatas nihilistas. Enfim, como pegar na campanha está na moda, o Paulo Portas já não se queixa de mim, pois já falei em agricultura! (Pena que seja agricultura anarco-libertária, mas a batata do vizinho é um ser livre e pensante que não cede ao sistema nem se deixa corromper por qualquer bichinho, nem o famoso temível e tenebroso "Escaravelho da Batata".) Mas falando de bichinhos... Não gosto de melgas, tudo bem que "já não durmo sozinho", mas porra, são chatas. Uma pessoa deita-se, relaxa e pimba! "Bzzzzz". Acende a luz, olha em volta "a safada escondeu-se, ah safadona, era quem lhe acabasse com a safadisse à safada da melga", desliga a luz e de novo... "Bzzzzz", desta vez, nada como enfiar a cabeça debaixo dos lençois com veemência e violência. (Ainda bem que o almoço não era feijoada) E depois disto eis que surge, junto ao ouvido como que por geração espontânea, um zunido maravilhosamente cantado por anjo e que me faz desejar com todas as minhas forças bradar bem alto para os céus: "C***lhos ta f*dam mais à p*ta da c*na da tua tia que te pariu numa sexta feira à tarde enublada com humidade relativa de 83%" (Mamã, se leres isto, estou possuído por um demónio com grande conhecimento de asteriscos). Outra coisa gira e fofixérrima é a gripe A, finalmente posso fazer uso da minha capacidade nojenta de tossir ruidosamente em público, e causar o pânico. Nada como dizer com subtileza "Ontem estava com a testa a arder, e ando cá com uma tosse... mas não há de ser nada" E de seguida espirrar para cima das pessoas com toda a pujança e imensos projecteis babosos. Mas enfim, honestamente tinha de aparvalhar sem nada para dizer e achei que vós ilustre iternautas eram o depósito indicado. Sem nada mais me despeço com: "Anônas", "Anônas"
sábado, 5 de setembro de 2009
Vespertina retardada
3 da manhã, e sou o gajo que dá com a colher de pau nos tachos (não é uma metáfora para coisas porcas, é mesmo interpretação literal.)
"Foge galinha" o pobre do galináceo tinha dentes e era peludo.
Ninho do cão, pocilga, esterco. Ah... home sweet home. É bom encontrarmos um sítio onde sentimos que pertencemos.
"Je t'aime", como uma outra língua se torna sempre mais poética e ao mesmo tempo nos permite refugiar um pouco o sentimento, um calor confortável.
Riso, choro, a actividade social mete-me nos píncaros. Malditos anos de solidão e nerdice que não me ensinaram a lidar com isso.
Gritos de horror num caminho sinuoso, colmeias num penedo sem acesso, mas que foda?
Pobre neandertal que só sabe ridicularizar-se, diz que é esquisito, diz que é drogado, diz que é lunático (estava lua cheia, devia ser disso tanta maluqueira, acho que sou lobisomem, pelo menos segundo as que cortam pulsos...), mas é só um pobre coitado que há de morrer a um canto, sem que alguém tenha prestado atenção aos seus avisos. (Isto ficou fatídico, até parece que o raça do macaco farfalhudo é um profeta).
Diz que rema de força bruta, diz que deixa cair as rosas, diz que leva tudo na boa, diz que é piquinhas e sensível, um grandessíssimo incoerente é o que ele é, mas pronto, ele que morra.
Ah, e o toy quis lançar-me no mundo da música, pelo menos foi a minha interpretação de tudo aquilo.
De qualquer modo, já tenho este blog há mais de um ano! yuhu! (vou referir que esteve mais de 6 meses parado?)
"Foge galinha" o pobre do galináceo tinha dentes e era peludo.
Ninho do cão, pocilga, esterco. Ah... home sweet home. É bom encontrarmos um sítio onde sentimos que pertencemos.
"Je t'aime", como uma outra língua se torna sempre mais poética e ao mesmo tempo nos permite refugiar um pouco o sentimento, um calor confortável.
Riso, choro, a actividade social mete-me nos píncaros. Malditos anos de solidão e nerdice que não me ensinaram a lidar com isso.
Gritos de horror num caminho sinuoso, colmeias num penedo sem acesso, mas que foda?
Pobre neandertal que só sabe ridicularizar-se, diz que é esquisito, diz que é drogado, diz que é lunático (estava lua cheia, devia ser disso tanta maluqueira, acho que sou lobisomem, pelo menos segundo as que cortam pulsos...), mas é só um pobre coitado que há de morrer a um canto, sem que alguém tenha prestado atenção aos seus avisos. (Isto ficou fatídico, até parece que o raça do macaco farfalhudo é um profeta).
Diz que rema de força bruta, diz que deixa cair as rosas, diz que leva tudo na boa, diz que é piquinhas e sensível, um grandessíssimo incoerente é o que ele é, mas pronto, ele que morra.
Ah, e o toy quis lançar-me no mundo da música, pelo menos foi a minha interpretação de tudo aquilo.
De qualquer modo, já tenho este blog há mais de um ano! yuhu! (vou referir que esteve mais de 6 meses parado?)
lamentações
Dizem que sou um tipo esquisito.
Estranho, nojento, anormal. Mas porque raio?
É do que penso?
É do que sinto?
É do que faço?
É do que digo?
É do que sou?
É que todos pensamos, sentimos, fazemos, dizemos e existimos...
Que é que isso tem de esquisito?
Serei uma afronta à cultura de massas, à torrente criada pelos vácuos dessas almas?
É que não sou diferente deles, quero o mesmo que eles, contento-me com o mesmo que eles, por meios e maneiras diferentes, mas vai tudo dar ao mesmo.
Porque raio é que os segrego e eles me segregam a mim, porque raio somos tão complicados, afinal tenho o mesmo que eles, um corpo humano e uma alma dúbia...
Eles que morram, eu que morra...
Estranho, nojento, anormal. Mas porque raio?
É do que penso?
É do que sinto?
É do que faço?
É do que digo?
É do que sou?
É que todos pensamos, sentimos, fazemos, dizemos e existimos...
Que é que isso tem de esquisito?
Serei uma afronta à cultura de massas, à torrente criada pelos vácuos dessas almas?
É que não sou diferente deles, quero o mesmo que eles, contento-me com o mesmo que eles, por meios e maneiras diferentes, mas vai tudo dar ao mesmo.
Porque raio é que os segrego e eles me segregam a mim, porque raio somos tão complicados, afinal tenho o mesmo que eles, um corpo humano e uma alma dúbia...
Eles que morram, eu que morra...
III - A Aurora da Civilização
"In the beginning the Earth was without form and void. But the sun shone upon the sleeping Earth, and deep inside the brittle crust, massive forces waited beyond reach."[1]
No princípio, a Terra estava coberta pelas trevas e era um ermo vazio, disforme e sem vida. Aos poucos a luz conquistou as trevas, e com ela veio a vida e toda a criação. O sol raiou para a vida. Do horizonte veio o conforto da luz e o falso firmamento entre terra e céu. Para uns este horizonte prolongava o vazio até à imensidão, para outros, punha fim ao mesmo vazio e limitava-nos a um universo caseiro e confortavelmente egocêntrico.
O homem era um bicho estúpido, amedrontado, como todos os animais, mas aquele macacão corcunda e peludo tinha algo mais, aquilo a que meia dúzia de gregos pomposos chamaram de racionalidade. Antropocentrismo. O bicharoco começou a achar-se digno de mais, a procurar mais, ir além do firmamento. Decidiu pois então que, em vez de se subjugar às leis da então tão harmoniosa natureza, devia ser ele a subjugar a natureza e toda a criação as seus pés. Começou a servir-se daquilo que estava à sua mercê: paus, ossos, calhaus, frutos, caça. Talvez tenha sido ousadia, talvez um lampejo de brilhantismo, talvez estivesse escrito, talvez tenha sido iluminação divina... mas o que é certo é que este Homem começou a ser Homem. O ser corcunda ergueu o queixo e venceu os medos. Apercebeu-se de que podia amedrontar outros. Apercebeu-se que tinha poder, e isso soube-lhe bem como o raio. E assim que terminou de subjugar a natureza, quando já tinha o seu império pronto a descolar, lembrou-se de começar a subjugar os seus. Começámos a andar à porrada, e descobrimos que isso servia para tudo. Começou o ciclo de ganância e auto-destruição da humanidade, ainda que numa fase primitiva. Mas também havia coisas boas, havia os marmanjos que não andavam à porrada e passavam o dia a olhar para o ar. Filósofos, cientistas, chamem-lhe o que quiserem, mas eram os que andavam sempre no firmamento, a mirar o horizonte e a querer engrandecer a espécie, afinal, conhecimento é poder, e poder é fixe. Mas, mais uma vez, temos tanto de egocêntricos como de auto-destrutivos, é uma faca de dois gumes. À medida que explorávamos o horizonte, este expandia-se ainda mais, quanto mais procuramos saber, mais nos apercebemos da nossa pequenez e ignorância. O vazio começou assim a atormentar-nos, ou pelo menos a atormentar meia dúzia de cabeças pensantes e sadísticas. Mas, no meio disto tudo, há e sempre houve as massas. Enormes grupos de indivíduos tão desprezíveis que insistimos em tratá-los como um só movimento fluído. Devíamos dar-lhes mais valor, um grupo de cabeças sintonizadas na mesma formatação também devia ser considerada uma maravilha da natureza. As massas são uma máquina de guerra cultural massissa. Com a devida formatação podem aniquilar uma cultura, uma raça, uma religião, sem que sintam remorsos ou a mínima percepção de consciência. E é assim que a humanidade se rege, pelo poder das massas, sobre as massas. A essência do humano está em subjugar o próximo, em matá-lo, em amá-lo.
"Every human being not going to the extreme limit is the servant or the enemy of man and the accomplice of a nameless obscenity" [2]
[1] Livro do Génesis
[2] in "A Chore for the Lost" by deathspell omega
O homem era um bicho estúpido, amedrontado, como todos os animais, mas aquele macacão corcunda e peludo tinha algo mais, aquilo a que meia dúzia de gregos pomposos chamaram de racionalidade. Antropocentrismo. O bicharoco começou a achar-se digno de mais, a procurar mais, ir além do firmamento. Decidiu pois então que, em vez de se subjugar às leis da então tão harmoniosa natureza, devia ser ele a subjugar a natureza e toda a criação as seus pés. Começou a servir-se daquilo que estava à sua mercê: paus, ossos, calhaus, frutos, caça. Talvez tenha sido ousadia, talvez um lampejo de brilhantismo, talvez estivesse escrito, talvez tenha sido iluminação divina... mas o que é certo é que este Homem começou a ser Homem. O ser corcunda ergueu o queixo e venceu os medos. Apercebeu-se de que podia amedrontar outros. Apercebeu-se que tinha poder, e isso soube-lhe bem como o raio. E assim que terminou de subjugar a natureza, quando já tinha o seu império pronto a descolar, lembrou-se de começar a subjugar os seus. Começámos a andar à porrada, e descobrimos que isso servia para tudo. Começou o ciclo de ganância e auto-destruição da humanidade, ainda que numa fase primitiva. Mas também havia coisas boas, havia os marmanjos que não andavam à porrada e passavam o dia a olhar para o ar. Filósofos, cientistas, chamem-lhe o que quiserem, mas eram os que andavam sempre no firmamento, a mirar o horizonte e a querer engrandecer a espécie, afinal, conhecimento é poder, e poder é fixe. Mas, mais uma vez, temos tanto de egocêntricos como de auto-destrutivos, é uma faca de dois gumes. À medida que explorávamos o horizonte, este expandia-se ainda mais, quanto mais procuramos saber, mais nos apercebemos da nossa pequenez e ignorância. O vazio começou assim a atormentar-nos, ou pelo menos a atormentar meia dúzia de cabeças pensantes e sadísticas. Mas, no meio disto tudo, há e sempre houve as massas. Enormes grupos de indivíduos tão desprezíveis que insistimos em tratá-los como um só movimento fluído. Devíamos dar-lhes mais valor, um grupo de cabeças sintonizadas na mesma formatação também devia ser considerada uma maravilha da natureza. As massas são uma máquina de guerra cultural massissa. Com a devida formatação podem aniquilar uma cultura, uma raça, uma religião, sem que sintam remorsos ou a mínima percepção de consciência. E é assim que a humanidade se rege, pelo poder das massas, sobre as massas. A essência do humano está em subjugar o próximo, em matá-lo, em amá-lo.
"Every human being not going to the extreme limit is the servant or the enemy of man and the accomplice of a nameless obscenity" [2]
[1] Livro do Génesis
[2] in "A Chore for the Lost" by deathspell omega
sábado, 29 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Ceia Natalícia fora de horas
A couve foi ao supermercado comprar bacalhau, o bacalhau, que veio a nado, estava salgado e cansado. A couve ficou aborrecida com o estado do bacalhau e disse "Espera aí que já vês o que é que é molho", e assim demolhou-o. Depois disso, o bacalhau chamou os amigos e houve batatada. A couve precisou de ser cozida coitada. Para a coisa acabar em beleza, resta saber que se ficou tudo a esfregar feitos azeiteiros.
Estática
Estático,
Parado,
Atónito,
Indiferente,
Passa a morte, passa Deus, passa o Diabo e passa toda a criação divina,
E os olhos fixos no vazio, num ponto indefinido,
Estúpido,
Reles,
insignificante.
Ecos cósmicos,
Uma profunda estática,
E por baixo, um ruído:
As vozes do Mundo.
Bradavam alto,
Cantavam num tom pomposo de galo.
E no entanto, eram um mero ruído,
Desprezível,
Desprezável,
Playback duma voz rouca e sofrida,
Que berra por misericórdia,
Pela dor, pelo medo...
Parado,
Atónito,
Indiferente,
Passa a morte, passa Deus, passa o Diabo e passa toda a criação divina,
E os olhos fixos no vazio, num ponto indefinido,
Estúpido,
Reles,
insignificante.
Ecos cósmicos,
Uma profunda estática,
E por baixo, um ruído:
As vozes do Mundo.
Bradavam alto,
Cantavam num tom pomposo de galo.
E no entanto, eram um mero ruído,
Desprezível,
Desprezável,
Playback duma voz rouca e sofrida,
Que berra por misericórdia,
Pela dor, pelo medo...
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
II - O eclipse
Nesse dia, o sol não raiou. Talvez tenha ficado quieto por inércia, talvez se tenha deixado adormecer, talvez esteja com a mão no queixo a mirar o horizonte enquanto sonha com as suas façanhas e as da sua amada... Certo é que a manhã também estranhou, coitada. Não pode trabalhar, e apercebeu-se assim, num lampejo de escuridão, de toda a sua ignorância. Toda a vida amanhecera, e, subitamente, não pôde amanhecer. Pensou ela em tudo o que podia ter aprendido ou feito na vida, agora já não sentiria tanto a falta do sol, mas ele, não estava, não quis aparecer, ou alguma estrela maior o raptou num lampejo de inveja. E como a manhã não amanheceu, também as almas não puderam deambular, e ficaram perdidas na escuridão. Pobres almas penadas... sem sol nem luz que as alumie são consumidas pelo medo. Muito gosta o medo do escuro, e por ironia, tem medo do sol e da luz. No entanto, todos somos muito mais impelidos pelo medo que pela confiança, talvez por termos medo de ter medo, ou talvez pelo medo ter medo que não tenhamos medo e ser monopolista. Talvez daí sermos criaturas auto-destrutivas... Não confiamos nem em nós, cremos nas ilusões que criamos apenas para nossa segurança. Quando nos apercebemos do que realmente somos distribuímos medo e ódio (grandes compinchas esses dois) por tudo quanto é sítio, medo de perder, medo de ser, medo de existir, medo de não existir, e consequentemente, ódio por aqueles que nos fazem perder, ódio por aqueles que nos fazem ser o que não queremos, ódio por aquelas alminhas penadas que existem sem saber que são podres e reles, ódio por sermos como elas e presumirmo-nos como melhores. No entanto, o ódio dá uma força e vontade inimaginável, qual dosagem de adrenalina. Somos muito mais comprometidos em destruir algo do que em cria-lo, preferimos deixar isso a quem de dever. E ao mesmo tempo, o desprezo dá um certo prazer, o poder renegar alguém coloca-nos no topo, no trono da hierarquia social concebida por nós. O ódio acaba por ser uma droga, cega-nos de qualquer lampejo de realidade e faz-nos sentir felizes de uma forma muito pouco saudável, e no entanto, somos lúcidos o suficiente para o repudiar, para continuar a aguardar a luz, o amanhecer, o toque de um raio que nos aqueça, que o orvalho que nos cobre a cara se evapore para que nos possamos mostrar ao mundo, nus, verdadeiros connosco mesmos. Somos criaturas imundas, agarramo-nos às coisas numa dependência que sabemos que não pode ser eterna, somos meros viciados: No ódio, na luz, em nós mesmos... na necessidade de existir para condenarmos a existência. Ah pobres almas, porque vagueais? Aquele cujo destino é certo não teme nem treme, mas o destino nunca é certo, não podemos chamar uma viagem a esta deambulação, naufragamos apenas, nunca atracamos. Onde vamos parar?
Ode ao Cagalhão que anda.
Cagalhão que te esperneias, porque te esperneias tu?
Porque tu, que és bosta, queres fugir deste mundo?
...
(resta saber porque não se sente integrado...)
Porque tu, que és bosta, queres fugir deste mundo?
...
(resta saber porque não se sente integrado...)
I - Exórdio
O Sol raiava na manhã como raiou em todas as manhãs, e a manhã, como um mero elemento proletário e pouco pensante, aceitava-o como óbvio e mantinha a sua rotina em função da ascenção do sujeito. Nessa manhã (e como em muitas outras) deambulavam almas pela Terra, pelos campos, pelas cidades, por becos escondidos e por esconderijos inimagináveis, qual armazém dum narcotraficante colombiano. Essas almas, como todas as almas, eram espelhadas por dentro e tinham uma luzinha brilhante, qual pirilampo com cio. Assim, todas elas apenas olhavam para elas como o seu sol, e viam nelas a luz como anjos iluminados ou demónios em redenção ascendente. Mal elas sabiam o que era a luz, ou as trevas, ou mesmo anjos e demónios. Afinal, se soubessem não eram almas deambulantes pela terra, estariam a 7 palmos dessa outra dimensão a que um dia tiveram direito. O que é o dom da vida senão um impulso eléctrico que mexe aquelas marionetas de carne, vísceras e osso que somos nós os humanos? Mas neste emaranhado de fios, nem sempre o mestre do fantoche se desevencelha, por vezes os fios cruzam-se, cortam-se, e por isso o teatro não consegue ser puro e singelo como é suposto ser o trabalho do Criador. Pois que, nesta ópera que é a mecânica do universo, a orquestra não se rege numa única harmonia, mas numa sinfonia dissonante, imperceptível mesmo para eruditos. E essas coisinhas deambulatórias, tão únicas fantásticas, e ao mesmo tempo tão podres e imorais, lá dançam essa dança dessincronizada, a pisarem-se, espezinharem-se umas às outras, ou em encontros súbitos de tirar o fôlego ao pobre pulmão apaixonado. Mas quando se dança uma música que não se percebe, mesmo a mais mundana das criaturas se pergunta "Porquê? Porque não consigo eu parar? Para quê dançar uma melodia sem fim?" Seremos nós criaturas inúteis na imensidão do universo? Provavelmente, só o tempo o dirá suponho, tempo esse que compassa a dança, tempo esse que também não compreendemos. Mas afinal, qual é a geometria da alma? No universo não existem rectas, portanto resta saber apenas se aquele espelho interior que insiste em que reparemos em nós, em que nos centralizemos, é concavo ou convexo, se nos quer engrandecer, ou se nos faz aperceber da nossa pequenez... Certo é que não é direito, e nunca saberemos quem somos ou o que somos, resta o olhar alheio, o assustador, enorme e aterrador olhar alheio. Amanhã o sol vai raiar, e iluminará as faces pálidas desses seres assustadiços, a luz é reconfortante, reconhecemos os contornos do que nos rodeia, podemos apontar como um aspersor da relva, afectamos toda a gente mecânicamente, sem nos apercebermos da nossa rotação. Não somos nós que giramos afinal, é tudo que gira a nossa volta, a verdade reside na perspectiva. Mas antes do sol raiar de novo, a escuridão virá, apenas veremos a imensidão e o vazio, queremos refugiar-nos pois são ambos assustadores, mas olhando para dentro também vemos uma imensidão abundante de vazio, procuramos a luz, o toque, uma maneira de ver sem os olhos, uma outra alma que nos apazigue. Muito procuram estas presumidas almas imundas, nada encontram senão o seu ego espelhado em sua volta, não são condenáveis por não saberem nada, ou pela sua imoralidade, mas sim por serem reles o suficiente para se acharem todo-superiores e ignorar o estremecer universal que se lhes impõe, mas quem as condena senão elas? Nascem deuses, nascem demónios, nascem como nada, e no entanto serão tudo. E morrerão como nada, reduzidos a pó e cinzas como é de dever. Deixa-las viver, deixa-las deambular...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Encontros do 3º Grau
Hoje questionei-me, apercebendo-me que tenho primos em 2º grau em idade viril, se os seus filhos seriam aos meus olhos ET's por serem do 3º Grau. E pronto é só isto maníacos da ficção científica que lêem o meu blog (gosto de apelar às massas).
terça-feira, 28 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
L'enfer, c'est les autres
O ódio, o mais humano dos sentimentos, como antítese frustrada do amor, cúmulo do desejo doentio de umas hormonas eternizadas pelas musas clássicas como expressão máxima da estética sentimental. Pois será mais humano aquele que odeia a humanidade ou aquele que a ama? Aquele que se ama a si mesmo, ama a humanidade. Não por ser generoso de coração e ter que abunde para o seu ego e tudo o mais, mas porque o ego é um balão à frente dos nossos olhos, quão mais preenchido, menos vemos. Assim, aquele que se vê como ser perfeito, feliz, não pode consequentemente ver a miséria que o rodeia, pelo que tenta pinta-la, qual impressionismo manhoso, de forma alegre e despreocupada. Mas não melhor é o que se odeia a si mesmo, pelo que o egoísmo é igual, e o efeito é o mesmo, é que isto de amor e ódio, de bem e de mal, vai dar tudo ao mesmo. Talvez haja a pequena diferença de que o que se ama a si mesmo sente-se amado quando é odiado, e aquele que se odeia a si mesmo sente-se odiado quando é amado, nenhum deles se apercebe, a percepção que temos do mundo é virgem, a interpretação dela está conspurcada pela nossa mente, jamais objectiva ou virgem. A auto-análise é destrutiva, pelo que procuramos comparar-nos sempre a alguém, a quem já fomos, a quem queremos ser, àqueles que nos rodeiam... Nunca nos compreenderemos a nós nem nunca ninguém nos compreenderá, por isso temos tanto medo de conviver connosco, porque somos responsáveis pela nossa própria alma e sabemos que ela não é pura, mesmo sem conhecer a pureza. Talvez não seja suposto ser, talvez seja suposto ser assim, humana em todas as suas virtudes. E também por isso procuramos encontrar outras pessoas, conviver, alguém que se reveja em nós o suficiente para coleccionarmos fragmentos daquilo que estamos convictos de sermos nós mesmos, para nos conseguirmos definir em relação aos outros. E no entanto queremos crer que estão errados, não queremos ser compreendidos, pelo que nos sentimos expostos ao mundo, apenas queremos ser admirados pela nossa imagem fidedigna. Tudo o que fazemos é apenas um espectáculo de máscaras, para agradar aos outros, e fugir da crítica, da censura, da vergonha e do medo. Aquele que representa o mau da fita quer ser odiado porque odeia, e o anjo, chateia toda a gente pela sua perfeição desumana, todo o bem implica mal, pelo que são uma negação mútua.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Nevermind...
Eu quero ver, queria ver, com clareza e distinção, os eixos sobre o qual o universo se move, sob os quais se orienta e queria encontrar-me nessa organização celestial com uma rota establecida, orbital... eliptica... o que seja. Queria saber essa verdade hedionda que tanto me agoniza na sua dúvida e tanto me agonizará na sua resposta. Quero viver com a minha insignificância esclarecida e mais do que isso, quero conseguir aceitá-lo, feliz da vida feito palhaço ingénuo que sou. Quero conformar-me como roda dentada desta grande maquinaria e conseguir olear-me para que tudo seja mais harmonioso. Ver os coelhos a saltar, os pássaros a cantar não como o belo mas como o previsivel e mesmo assim achar-me digno. Queria ser uma máquina, deve ser o que sou suposto ser... senão sou disfuncional, consigo sentir coisas mas sou disfuncional. Quem quer afinal a minha felicidade, a minha tristeza, a minha vivência? Porque raio hei eu de ser útil para a mecânica do universo ao questioná-la? Enfim... já não quero nada disto, não sei o que quero... sei o que não quero: não sei bem quê.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Metafísica, ou não
Será que o hamburguer sente pelas múltiplas vacas e porcos que o formaram?
Será que o pó se questiona se anda à deriva ou se foi Deus quem o comandou?
Serão as fezes desperdício ou fonte de vida?
Será que pelo intestino delgado dar tantas voltas se lhe dá a volta ao estômago?
Será a Anôna melhor que o Inhame?
Será a couve mais laxante que o feijão?
Será que as unhas crescem para que as possamos roer como complemento nutritivo?
Será que a relva aponta toda para cima numa conspiração contra os pássaros que a sobrevoam?
Será que a lâmpada apaga quando acende e acende quando apaga?
Será que vemos todos a mesma coisa ou os cagalhões são fúscia?
O meu vizinho é mesmo incómodo ou nem sequer existe?
Os pássaros voam ou estão apenas limitados a um chão maior?
Os meus olhos fecham ou estou a ver o infinito?
Será que os computadores conspiram em levar-nos à loucura com imprecisões informáticas?
Será que fomos criados e formatados por seres extra-terrestres duma dimensão superior?
Porque raio pergunto esta coisa toda? Como ela diria, "Porque és estúpido"...
Será que o pó se questiona se anda à deriva ou se foi Deus quem o comandou?
Serão as fezes desperdício ou fonte de vida?
Será que pelo intestino delgado dar tantas voltas se lhe dá a volta ao estômago?
Será a Anôna melhor que o Inhame?
Será a couve mais laxante que o feijão?
Será que as unhas crescem para que as possamos roer como complemento nutritivo?
Será que a relva aponta toda para cima numa conspiração contra os pássaros que a sobrevoam?
Será que a lâmpada apaga quando acende e acende quando apaga?
Será que vemos todos a mesma coisa ou os cagalhões são fúscia?
O meu vizinho é mesmo incómodo ou nem sequer existe?
Os pássaros voam ou estão apenas limitados a um chão maior?
Os meus olhos fecham ou estou a ver o infinito?
Será que os computadores conspiram em levar-nos à loucura com imprecisões informáticas?
Será que fomos criados e formatados por seres extra-terrestres duma dimensão superior?
Porque raio pergunto esta coisa toda? Como ela diria, "Porque és estúpido"...
sábado, 20 de junho de 2009
Aequilibrium
Spinning and Spinning around
Moons spininng on planets,
planets spinning on stars,
Stars spinning on black holes,
Black holes spinning in a vortex of entropy.
Darkness consumes the light,
Yet it blasts into sunbursting light.
If stars are endless,
Why shouldn't void be white?
If darkness is eternal,
Why shouldn't void be black?
Cause it's void and we're not,
We don't belong white neither black
We don't belong nothing neither everything,
They don't exist,
Universe shall be in tones of grey,
As infinity and void
are beyond the natural order,
And yet they rule the balance
between existence and non-existence,
Once we are void, we know infinty...
Moons spininng on planets,
planets spinning on stars,
Stars spinning on black holes,
Black holes spinning in a vortex of entropy.
Darkness consumes the light,
Yet it blasts into sunbursting light.
If stars are endless,
Why shouldn't void be white?
If darkness is eternal,
Why shouldn't void be black?
Cause it's void and we're not,
We don't belong white neither black
We don't belong nothing neither everything,
They don't exist,
Universe shall be in tones of grey,
As infinity and void
are beyond the natural order,
And yet they rule the balance
between existence and non-existence,
Once we are void, we know infinty...
sexta-feira, 19 de junho de 2009
A Chore for the Lost
Ora, como é in meter músicas no blog também o farei, se alguém não gostar que comente, já é qualquer coisa.
Deathspell Omega - A Chore for the Lost
(de referir que esta música me dá orgasmos múltiplos ou o mais próximo que hei de ter disso)
Deathspell Omega - A Chore for the Lost
(de referir que esta música me dá orgasmos múltiplos ou o mais próximo que hei de ter disso)
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